Por Tati Wong
Para empresas que atuam com promoções, incentivo, premiação e programas de loyalty, agosto marca o início de um dos períodos mais desafiadores do ano. A Black Friday ainda parece distante no calendário, mas, na prática, o planejamento já está em andamento. Enquanto o consumidor começa a pesquisar ofertas, as empresas precisam preparar pessoas, processos e tecnologia para sustentar a operação.
Segundo a NIQ, mais de um terço dos shoppers brasileiros espera três meses ou mais pelas ofertas da Black Friday. Dentro das organizações, isso significa que a corrida já começou. E, para quem lidera equipes, o primeiro olhar não deveria estar apenas na operação, mas nas pessoas que vão torná-la possível.
O que muda na liderança quando a Black Friday se aproxima?
Datas sazonais expõem tudo aquilo que a rotina consegue esconder: decisões concentradas, retrabalho, sistemas que não conversam, prioridades concorrentes e lideranças ocupadas demais para perceber quando a equipe está próxima do limite.
O volume aumenta, os prazos diminuem e a resposta mais comum costuma ser pedir mais velocidade. Mas acelerar nem sempre resolve o problema. Em muitos casos, apenas amplia gargalos que já existiam.
O Work Trend Index 2025, da Microsoft, mostrou que 80% da força de trabalho global sente falta de tempo ou energia para realizar o próprio trabalho. Em média, uma pessoa é interrompida por reuniões, e-mails ou mensagens a cada dois minutos. Quando uma operação já fragmentada entra em um período crítico como a Black Friday, esse cenário se intensifica.
Na Roda, costumo olhar para três pontos antes de qualquer pico sazonal.
O primeiro é a capacidade real da operação. Quem está responsável por cada etapa? Onde existe dependência de uma única pessoa? Quais atividades podem ser automatizadas e quais ainda exigem repertório, negociação e tomada de decisão?
Tecnologia faz diferença quando reduz tarefas repetitivas, antecipa gargalos e aumenta a visibilidade dos processos. Ela perde valor quando apenas acelera uma operação que continua desorganizada.
Como preparar o time para um período de alta demanda?
O segundo ponto é a clareza nas decisões.
Em momentos de maior pressão, o time precisa saber quem aprova, quais critérios orientam cada escolha e o que realmente é prioridade. Liderar também significa decidir o que ficará fora da lista. Cada nova prioridade adicionada sem que outra seja retirada representa uma promessa financiada pela energia da equipe.
O terceiro ponto é a proximidade da liderança.
A Gallup registrou queda do engajamento global para 20% em 2025. Entre gestores, a redução foi ainda mais significativa: de 31% em 2022 para 22% em 2025. Já a Deloitte identificou outro desafio: 73% das organizações reconhecem que precisam reinventar o papel do gestor, mas apenas 7% afirmam ter avançado de forma consistente nessa transformação.
Esses números reforçam uma realidade que muitas empresas vivem diariamente: tecnologia melhora processos, mas não substitui liderança.
No segundo semestre, gestores precisam redistribuir carga de trabalho, proteger o foco das equipes, dar contexto para as decisões e perceber quando a pressão deixa de impulsionar resultados para começar a comprometer a qualidade das entregas.
É nesse ponto que Tech + Touch ganha significado. A tecnologia organiza a complexidade, automatiza processos e amplia a capacidade operacional. O toque humano transforma essas informações em decisões responsáveis, prioriza pessoas e cria condições para que o trabalho aconteça de forma sustentável.
A Black Friday não deveria depender de quatro meses de urgência permanente. Ela deveria ser consequência de uma organização que chegou preparada, com processos mais eficientes, tecnologia a serviço das pessoas e lideranças capazes de transformar pressão em direção.